PIX mudará forma de se fazer operações financeiras. Conheça as novidades do sistema criado pelo BC

O Pix permitirá que transferências e pagamentos sejam realizados entre diferentes instituições financeiras em até 10 segundos, 24 horas por dia e todos os dias do ano, incluindo finais de semana e feriados

Rio, 13:46 24/09/2020 – A partir do dia 5 de outubro, os bancos e instituições financeiras devem disponibilizar o cadastro de chaves para o Pix, a mais nova rede digital de pagamentos, criada pelo Banco Central (BC). Ou seja, todos os usuários que quiserem se cadastrar devem acessar o app do seu banco ou fintech e fazer o registro de endereçamento, vinculando o número de telefone celular, e-mail ou CPF/CNPJ àquela conta. Alguns dos grandes bancos já estão correndo contra o tempo e fazendo anúncios da novidade na TV, isso porque eles vão concorrer também com as fintechs e outros aplicativos de pagamento do próprio varejo, como o Magalu Pay, Picpay, entre outros.

Mas só entrará em operação a partir de novembro, quando o PIX se constituirá no novo meio de pagar, transferir e receber e, certamente, mudará a forma como pessoas e empresas realizam suas transações.

O usuário tem livre arbítrio para decidir com quais instituições deseja fazer o cadastramento., explica Alexandre Pinto, Diretor de Inovação e Novos Negócios da Matera

O Pix permitirá que transferências e pagamentos sejam realizados entre diferentes instituições financeiras em até 10 segundos, 24 horas por dia e todos os dias do ano, incluindo finais de semana e feriados. Assim, diferentemente das transferências tradicionais via DOC e TED, que são processadas apenas em dias úteis e apenas em determinados horários, com o Pix as transações poderão ser realizadas a qualquer momento e a qualquer hora, de forma ágil e simples.

Mas, as dúvidas ainda são muitas. Afinal, como essa chave irá funcionar? Quantos cadastramentos diferentes serão permitidos? O relacionamento com a instituição financeira deve interferir nesse cadastro? Como serão os pagamentos realizados por meio do Pix. Esse movimento é seguro? Para responder a essas dúvidas entrevistamos o especialista no tema Alexandre Pinto, Diretor de Inovação e Novos Negócios da Matera, empresa de desenvolvimento de tecnologia para o mercado financeiro, fintechs e gestão de riscos.

IOT40: Alexandre, explique como será o funcionamento dessa chave?

Alexandre: O cadastramento da chave, em inglês chamada de “alias” ou “apelido” em português, é uma maneira de facilitar as transferências de dinheiro. Hoje a gente sabe que para realizar uma TED é necessário informar os dados da conta, CPF, nome completo, CNPJ da empresa e tudo mais. Com o Pix vai ser diferente. A partir de outubro, será possível associar a sua conta ou as suas contas do Bradesco, Itaú, PicPay, Nubank e MagaluPay, por exemplo, a esses “apelidos”. São três possibilidades: CPF, número do telefone e endereço de e-mail. O usuário poderá associar seu endereço de e-mail à conta do Nubank, associar seu número de CPF ao Itaú e seu número do celular ao PicPay. A gente vai ter essa flexibilidade, podendo associar cada alias a uma conta diferente.

IOT 40: Quantos cadastramentos diferentes serão permitidos?

Alexandre: Será possível utilizar cada uma dessas informações – CPF, e-mail, número do telefone – para contas diferentes. Além disso, se a gente não quiser compartilhar essas informações, será possível criar um identificador “randômico”, chamado de chave aleatória – um número que não tem outro sentido. Ele é simplesmente um ID, um identificador, como se fosse o número de conta, para ser compartilhado com o pagador naqueles casos em que você não se sinta tão confortável em fornecer dados pessoais como CPF, e-mail ou telefone. Importante reforçar que também será possível realizar a portabilidade das chaves, ou seja, alterar a associação do número de celular do Banco A para a Fintech B, por exemplo.

IOT40: O relacionamento com a instituição financeira deve interferir nesse cadastro?

Alexandre: Esse processo vai ser feito pelas próprias instituições (bancos tradicionais, bancos digitais e fintechs). Pelo próprio aplicativo do banco ou fintech poderemos associar a nossa chave. Não haverá um aplicativo novo ou página no site do Banco Central para isso – será feito pelo próprio banco ou fintech com o qual a gente tem relacionamento. Inclusive, alguns bancos já estão incentivando o cadastro. O usuário tem livre arbítrio para decidir com quais instituições deseja fazer esse cadastramento.

IOT40: Como serão os pagamentos realizados por meio do Pix? Esse movimento é seguro?

Alexandre: Essa questão é muito interessante porque mostra o Banco Central impulsionando uma tecnologia muito adequada para a realidade brasileira. Hoje a grande maioria da população conta com smartphone com câmera, e isso que possibilitará os pagamentos por meio de QR Code. Existem outras tecnologias que são utilizados no pagamento contactless, como NFC, no entanto, no cenário atual o uso do QR Code se mostra ainda mais democrático e possível. Foi uma decisão bastante feliz do Banco Central e a padronização também, que ajudaram a simplificar todo o fluxo. Não importa para quem está recebendo ou pagando, se aquele QR Code foi gerado por instituição financeira A, B ou C.

IOT40: O processo de uso do PIX está pronto e acabado? Ou vem mais novidade mais à frente?

Alexandre: Em 2021 está previsto o uso do QR Code Offline. Nesse caso, o pagador será o responsável pela geração do QR Code na hora do pagamento (quem fará a leitura do QR Code será o recebedor) e não será necessária conexão com a internet no momento da transação por parte do pagador. O Brasil é um país muito grande, que ainda conta com muitos lugares, principalmente no interior, onde a cobertura de internet ainda é pouco eficiente. Além disso, muitos brasileiros contam com planos de dados mais limitados, o que pode dificultar o uso do Pix em certos momentos. O QR Code Offline resolverá esses problemas. É a tecnologia realmente proporcionando a inclusão digital e democratizando o acesso aos serviços financeiros.

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