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IoT estende fenômeno de “uberização” ao setor de transporte de cargas

Por Marco Antonio Monteiro*

O conceito tecnológico do Uber, que transformou o serviço de táxi, que era igual há cem anos, tem influenciado várias formas de transportes, como o ainda incipiente compartilhamento de jatos comerciais e de helicópteros. Mas é no transporte de carga que o fenômeno da “uberização” marca presença de forma vigorosa.

Por meio da conectividade viabilizada pela Internet, já é possível um caminhoneiro autônomo receber ofertas de

Carlos Mira, CEO e fundador da TruckPad

carga por aplicativo no celular, e da mesma forma uma transportadora localizar o motorista e o contratar on-line. É o princípio básico do serviço oferecido pela TruckPad, cujo aplicativo elimina de vez o atravessador, que fazia a negociação entre transportadoras e caminhoneiros ao custo de até 30% do frete. A negociação direta entre as duas partes economiza tempo, reduz custos e o contratante acompanha todo processo do envio da carga em tempo real.

“O TruckPad é o Uber dos caminhoneiros, no sentido de sermos uma empresa de tecnologia, e não termos um só caminhão. Prestamos serviço gratuito para o motorista, que deixa de transitar vazio, ao usar nosso aplicativo. Sempre haverá uma carga perto do local em que está, e ele negociará o preço do frete diretamente com a transportadora, que nos paga um percentual variável, dependendo do volume de carga, distância, tipo de veículo e recorrência dos fretes”, diz Carlos Mira, CEO e fundador da TruckPad. O executivo garante que já houve mais 700 mil downloads do aplicativo.

Estima-se que existam no país 1,1 milhão de caminhoneiros autônomos e mais de 180 mil transportadoras de variados portes. Dados da Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística indicam que o setor de transporte de carga rodoviário fatura por ano US$ 34 bilhões.

Foi esse “exército” de caminhoneiros que levou a Mercedes-Benz a se tornar acionista minoritário da TruckPad em dezembro de 2017. O interesse da multinacional é típico de quem está atenta ao Big Data, ao passar ter informações em massa de seu mercado-alvo no segmento de transporte de cargas, que servem de referência para avaliações e o aprimoramento de seus produtos e serviços. Ou seja, cria uma perfeita Plataforma de Relacionamento.

Caio Reina, CEO e fundador da RoutEasy

A empresa RoutEasy, por sua vez, simplificou e barateou o custo para controle do processo de logística no transporte de cargas. Por meio de aplicativos para smartphones e PCs, com quatro módulos que podem ser contratados on-line individualmente, é possível integrar o planejamento otimizado das rotas até a gestão da operação, com visibilidade ao longo do trajeto para o cliente final e obter informação de indicadores de desempenho. “A assinatura mensal de cada módulo por veículo custa R$ 39,00. Se desejar adquirir o pacote completo com os quatro módulos, paga por veículo R$ 68,00 pela assinatura mensal, que pode ser cancelada a qualquer momento”, garante Caio Reina, CEO e fundador da empresa.

O surgimento de novas empresas de tecnologia deste segmento deverá ser garantido com o Programa de Investimento em Startups da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a ser lançado ainda em março, por meio de edital internacional. O projeto foi criado em parceria com a BMG UpTech (braço do Grupo BMG que investe em inovação tecnológica). A ideia é selecionar ao menos cem empresas, e filtrar o processo seletivo até chegar ao mínimo de cinco startups classificadas. “O programa durará dez meses e as empresas classificadas receberão até R$ 460 mil ao longo do programa”, diz Rodolfo Santos, CEO da BMGTech.

Harley Andrade, diretor para Assuntos Internacionais da CNT e que também responde pelo recém-criado Conecta, programa de impulso a startups, informa que o edital é público e será aberto a qualquer empresa brasileira ou do exterior, desde que já esteja no mercado, de preferência com clientes, e em estado avançado de atividade. “Vamos buscar alternativas inteligentes para o setor. Temos que provocar a criatividade e encontrar quem está produzindo soluções possíveis para problemas mapeados em todos modais”, explica.

Fonte: Valor Econômico